segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PT ''PERDE '' QUASE TODAS AS PREFEITURAS DA REGIÃO DO VALE DO PARAÍBA

Mais da metade dos prefeitos eleitos em 2012 pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na região deixaram a legenda. No período de um ano, desde o início da crise, seis dos dez nomes eleitos pela sigla deixaram o PT e migraram para outros partidos. O movimento segue uma tendência nacional com o desgaste provocado pela crise política no Planalto. Segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo, 1 em cada 5 prefeitos deixaram o partido no país. Dos dez prefeitos eleitos, quatro se mantiveram na legenda no Vale e região bragantina. Os remanescentes lideram cidades chaves para a sigla na região, como o prefeito de São José, Carlinhos Almeida; de Jacareí, Hamilton Mota; de Ubatuba, Maurício Moromizato e de Bragança Paulista, Fernão Dias. O levantamento feito pelo G1 considerou os prefeitos que deixaram o partido nos últimos 12 meses. Com o desgaste da legenda durante as investigações da Operação Lava Jato - inclusive com as suspeitas de envolvimento do ex-presidente Lula - e da possibilidade de impeachment da presidente Dilma, o movimento de desfiliação teve um 'boom'. Em 2012, o PT havia garantido uma fatia de 21% dos prefeitos eleitos nas 46 cidades da região. Cachoeira Paulista, Nazaré Paulista, Piquete, Roseira, Santa Branca e Santo Antonio do Pinhal não ultrapassam 35 mil habitantes cada, mas foram elas que ampliaram a participação da legenda na região. Questões ideológicas Às vésperas de uma nova eleição, a maior parte dos prefeitos que mudaram de partido debandaram para partidos de oposição. Os prefeitos foram para partidos como PSD, PSB e PR, que apoiam o impeachment de Dilma Rousseff. No PSB, 29 dos 37 deputados eleitos pela legenda votaram favoráveis ao andamento do processo de impeachment na Câmara. No PSD, 29 dos 37 e o PR, que era esperado como bancada favorável, terminou com a maioria contra o governo, com 26 dos 40 votos na câmara. Para o filósofo político César Augusto, a política tem se afastado cada vez mais das questões ideológicas. Para ele, o fenômeno de desligamento se explica em duas fases: as questões de interesse financeiro e a moral. Eu queria força de base aliada para trazer emendas. Não tenho ideologia nenhuma, fui para a oposição pelo apoio. Adriano Pereira, prefeito de Santa Bramca Nesses locais, em que a gestão é mais próxima do público, a política é personificada – figuras conhecidas da cidade, de famílias tradicionais, e com boa moral. “A suspeita de crime, acusações de corrupção, isso toca a moral. Então ele [prefeito] se desvincula para manter a boa imagem à população. Os discursos municipais são mais fortes que os nacionais”, explicou. No que tange ao financeiro, com a crise, o governo deixa de fechar acordos, enviar lotes de verba em programas, o que interfere na gestão, segundo Augusto. O prefeito de Santa Branca, Adriano Pereira, saiu do partido em junho do ano passado, e passou para o PR. Para ele, o que pesou foram os ‘apadrinhamentos’, responsáveis pelas emendas. “Quando me candidatei pelo PT, contava com o apoio de deputados, que não conseguiram a cadeira. Com essa perda, eu conversei com o PR, que tem duas cadeiras e acabou me apadrinhando. Eu queria força de base aliada para trazer emendas, não tenho ideologia nenhuma, fui para a oposição pelo apoio”, disse. O prefeito de Nazaré Paulista, Júnior, explica que não tem bandeira. “O que me deixou desgostoso com o partido era a morosidade na assinatura de convênios. Como PR tem liderança forte na nossa região, acabei por me ligar a eles. Não tenho ideologia partidária. Vou tentar a reeleição e o vice pode ser do PT”, disse. Quem ficou é quem teve clareza política para entender nossa ideologia. Fazer saber que está em um partido de esquerda e defender essa ideia. Se você não tem convicção, é natural que saia. Rose Gaspar, coordenadora do PT no Vale Bandeira vermelha Para o partido, apesar do enfraquecimento, a instabilidade no cenário político nacional serviu como teste de fidelidade para a sigla. “Sempre fomos um partido de luta, saímos do sindicato para a casa de leis. Quem ficou é quem teve clareza política para entender nossa ideologia. Fazer saber que está em um partido de esquerda e defender essa ideia. Entendo que é possível reconstruir um partido mais ideológico com pessoas que defendam isso, e foi isso que ficou. Se você não tem convicção, é natural que saia”, disse Rose Gaspar, coordenadora do PT no Vale. A coordenadora ainda informou que está se encontrando com esses gestores para oferecer aliados nas chapas e buscando novos nomes para a próxima eleição FONTE : Poliana Casemiro Do G1 Vale do Paraíba e Região

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