terça-feira, 8 de março de 2016

Mais de 72% dos servidores municipais são mulheres, e quase 60% dos cargos de chefia são ocupados por elas

Os almoços e lanches dos prefeitos e prefeitas da cidade de São Paulo foram feitos pelas mesmas mãos carinhosas e dedicadas durante 33 anos. A assinatura, desde março de 1982, não foi de nenhum chef renomado, mas da servidora Brasilina Aparecida Oliveira, 71. Ela deixou a função de cozinheira em outubro de 2015, após ter servido os mais variados pratos para uma lista que começa com Reynaldo de Barros e vai até Fernando Haddad. Dona Bra, como é conhecida entre os colegas mais antigos da Prefeitura, foi a homenageada do encontro de agradecimento promovido nesta terça-feira (8) por Haddad com as servidoras públicas da limpeza, recepção e área técnica do gabinete. O evento foi realizado no auditório do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, em comemoração do Dia Internacional da Mulher. “Parabéns a todas mulheres que estão aqui, e é uma honra, porque esse dia é muito importante para todas nós”, disse dona Bra às 300 colegas que lotaram o auditório. Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal de Gestão, dos 131.287 servidores municipais ativos, 95.454 são do gênero feminino, ou seja, a cada dez funcionários públicos da Prefeitura, sete são mulheres –cerca de 72,71%. Dentro dos cargos de chefia, ou direção e assessoramento superior, as mulheres ocupam 58,33% (ou 3.785) dos 6.489 cargos do tipo. Além da criação da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, em 2013, a atual gestão instituiu a paridade em todos os conselhos municipais, que agora terão de ter o mínimo de 50% de integrantes mulheres. A medida já está aplicada em grandes colegiados, como os conselhos Tutelar e Participativo Municipal. “São tantas servidoras todo o tempo trabalhando, ajudando a Prefeitura, que queria ter a oportunidade de agradecer a vocês, e esse é motivo do encontro no Dia Internacional da Mulher. As mulheres dignificam o serviço público, melhoram a qualidade da política, além de melhorar a vida de todos nós”, afirmou o prefeito. Apesar dos avanços, ainda de acordo com a Secretaria Municipal de Gestão, dentro dos cargos políticos, como secretários, secretários-adjuntos, subprefeitos e chefes de gabinete, as mulheres ocupam 23,61% das funções, ou 34 dos 144 cargos. “Precisamos enfrentar a sub-representação das mulheres na política brasileira. Nossa democracia é uma democracia limitada, porque ainda temos em torno de 10% de todos os cargos que existem no Senado, na Câmara dos Deputados e dos Vereadores, e não há motivo para que isso aconteça, porque as mulheres são mais da metade da população, da força do trabalho e que frequenta as escolas. As mulheres têm capacidade para fazer as leis, defender o povo brasileiro, fazer da política uma coisa digna e ética”, disse a vice-prefeita, Nádia Campeão. “Dias como o de hoje são importantes para a gente refletir sobre o que ainda falta, e refletir sobre o que ainda falta é o melhor antídoto para não deixar ir para trás. Infelizmente, a sociedade não evolui retilineamente, ela sofre retrocessos, e não podemos admitir retrocessos no campo da igualdade de gênero”, afirmou Haddad. Além de ações como a proposta de nova lei de combate ao assédio no funcionalismo público, a Prefeitura também criou, em dezembro, o Conselho Municipal de Políticas para Mulheres, que poderá aprofundar políticas públicas, não só entre as servidoras, mas em toda a cidade, para a equidade de gênero. “Temos diferentes políticas que visam não só atender as demandas das mulheres, mas também corrigir as desigualdades que nós temos”, afirmou a secretária-adjunta de Políticas para Mulheres, Dulcelina Xavier. FONTE / CRÉDITO Fernando Pereira/Secom

Nenhum comentário:

Postar um comentário